segunda-feira, 18 de julho de 2016

Filosofia de bêbado.


Dei uma olhada em Sócrates e Platão
Depois Hobbes, Descartes, Pascal
Passei por Espinosa, Voltaire e Leibniz
Aí cai em Hegel, Shopenhauer e Kierkegaard
Em Nietzsche dei uma parada maior
Mas logo fui para Wittgenstein e Kuhn
E depois de tudo isso acabo descobrindo
Que minha filosofia, de longe, se identifica
Mais com Heineken... Nem sei o porquê!
db (11/07/2016)

"Muito cuidado ao pensar. Podem querer negar sua existência." db (07/2016)

quarta-feira, 13 de julho de 2016

O escrevinho.


Tenho feito uns escrevinhos
Pobres, é verdade, porém sinceros
Inclusive na falsidade
Tem escrevinho sobre a vida
Sobre tudo que não sei
Sobre dúvida idolatrada
Sobre paciência, que há de haver
Sobre o caos, sobre a manada
Sobre o ser ser melhor do que o ter
Escrevinhos sobre erros
E a incapacidade de repará-los
Escrevinhos sobre o alívio
De tê-los reconhecido
Escrevinhos sobre amizade
E troca de impressões
Escrevinhos sobre o passado
Cada vez maior que o futuro
Escrevinhos sobre filhos e netos
Sobre amores e desamores
Uns voláteis outros perenes
Escrevinho sobre o nada
E portanto sobre eu mesmo
Escrevinhos para não esquecer
Que a escrita é sobre o
Que julgamos saber
E o escrevinho é sobre
A consciência da ignorância


db (13/07/2016)

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Envelhecendo


Em velhas frases
Em novas fases
Em velho sendo
Envelhecendo
Só recolhendo
Só recorrendo
Ao que se sabe
Ao que me cabe
Novos amigos
Outros antigos
Velhos discursos
Em novas falas
Colhendo dúvidas
Sem semeá-las
Levando embora
Jogando fora
O que eu sabia
Fazendo agora
Só poesia...

db (01/07/2016)

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Idolatrando a dúvida

Idolatro a dúvida sempre.
Até que a única certeza me leve.
E que seja leve.

db 28/06/2016


quinta-feira, 23 de junho de 2016

Por que?

Por que ?

Hoje
A Jiripoca pode piar
A Ema pode gemer
O jacaré pode nadar de costas
O Burro pode empacar
A vaca pode ir pro brejo
O boi pode bumbá
Urubu pode virar meu louro
A cobra pode fumar
O cão pode chupar manga
O tamanduá pode dar bandeira
Tico-tico pode ficar no fubá
A porca pode torcer o rabo
A égua pode ser lavada
O gato preto pode cruzar a estrada
Mas a onça...
A onça não pode mais beber água...

Por que?


db (28/06/2016)

Juma

quinta-feira, 16 de junho de 2016

O Muro (visto lá de cima)


As vezes socamos o ar
e não a parede.
Preservamos a mão
num gesto insuficiente.
As vezes é preciso sangrar.
As vezes mentimos
ao ficar calados
quando é importante falar.
Quebrar o muro
quando estamos em cima dele
nos faz cair na realidade.
As vezes é imprescindível assumir posições.
Porém sem nunca deixar
De idolatrar
a dúvida.

Db (16/06/2016)

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Como abdicar

Como abdicar do verso se quando rimo rimos juntos?
db

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segunda-feira, 6 de junho de 2016

Laura

Talvez você seja a poesia ao contrário.
Uma daquelas bem arretadas.
Daquelas de fazer chorar de raiva e amor
Que faz engolir em seco
Pura explosão de quase raiva
Centro de um mundo tão seu
Foge de mim as palavras as vezes
Talvez porque a calma que procuro na poesia
Não encontro no vulcão sempre
Pronto a explodir que você leva no peito
Para que o verso saia fluido é
Preciso garoa e você é tempestade
Uma tempestade que faz barulho
Até ensurdecer
Inunda até quase afogar
Então a poesia sai assim
Aos trancos
Não porque você não inspire
(como se fosse possível você não inspirar)
Não porque não te ame
(como se não te amar fosse possível)
Mas porque talvez
você seja a poesia ao contrário
E a poesia ao contrário também é linda!

db (02/06/2015)


Nem só de amor fala a poesia
Nem só de flor é feita a menina


Nem mesmo eu
Que me conheço desde que me sou
Sei de onde vim, nem pra onde vou

De longe, no caos não se vê leveza
É difícil fugir da nossa própria natureza

Se eu pudesse escolher 
Entre ser dor ou ser flor
Só de sorrisos poderia viver
Mas é no meio desse furacão que mostro quem sou
E ainda assim, (juro)
No caos existe amor. 

LB (02/06/2016)

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Retorno

(para Aninha)

E de repente
Meu quarto de novo
A mesma Janis na parede
A mesma cama desarrumada
Roupas jogadas no chão
Na cabeça um tempo
Que não devia acabar nunca
Umas pessoas que fazem falta
Porque representam
Liberdade, amizade, felicidade
Que fazem o peito respirar leve
E que depois de passado
Trazem suspiros
Um tempo que
Não quero que acabe nunca
E que não vou deixar acabar
Mesmo que nunca mais volte
E de repente
Meu quarto de novo
E realizo que a vida
É um eterno retorno
E é assim que tem que ser...
db (02/06/2016)


quarta-feira, 1 de junho de 2016

Poesia


Poesia é uma janela
Em que você vê, através dela
O que acontece lá dentro
De você

Poesia é uma tela
Em que você pinta, borra e pincela
Tudo o que te rodeia e que está dentro
De você

Poesia é fazer de conta a realidade
Que você monta à vontade
E esconder toda a verdade que está dentro
De você

Poesia é fazer a casa cair
É não ter para onde ir
A não ser ir para dentro
De você

A poesia sempre está dentro
De você


db (01/06/2016)

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Insônia


Essa noite
Enquanto não dormia
Pensei um troço:
O que tenho que fazer
Não me apetece tanto
Quando a vontade que tenho
De fazer o que não posso
E de tanto pensar
Criei um outro alguém
Que já é meu sócio
E foi tanta madrugada
Eu e ele acordado
Sem resolver nada
Que ficou combinado
Que eu faço o que posso

 E ele fica só com o ócio...

db (30/05/2016)

quinta-feira, 28 de abril de 2016

haikaindo

"Com o o tempo
Vamos haikai(ndo)
na concisão
Embora seja
o proselitismo
que nos encha
de razão" 


db

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Virou traste

E tanto fez
e tanto brigou
e tanto espremeu
e tanto chorou
e tanto sumiu
e tanto voltou
e tanto lutou
com sua agonia
que acabou sendo traste
e virando poesia...
db

quarta-feira, 9 de março de 2016

Mulher


Para as que acordam cedo
Para as que nem dormem
Para as santas
Para as prostitutas
Para as lésbicas
Para as mães
Para as que abortaram
Para as que apanham dos seus homens
Para as que sustentam a família
Para as que moram na favela
Para as que defendem tese
Para as que só assistem novela
Para as que acreditam numa causa
Para as que causam
Para as que criam
Para as que foram estupradas
Para as que são abusadas
Meus sentimentos
Meus cumprimentos
Meus agradecimentos
Meus parabéns



Db (03/16)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Remoendo Nietzsche

O passado é agora, o futuro é hoje.
O passado não existe.
É só uma representação do que ocorreu.
E quando lembramos dele, lembramos agora.
O futuro também não existe.
É só uma esperança.
E quando o imaginamos, o fazemos hoje.
A vida real é o presente. Só ela existe. O resto é metafísica.
E então por que vivemos remoendo o passado
E temendo o futuro?
Douglas Bunder

Ando Lendo Nietzsche

Enquanto alguns poucos fazem a historia
muitos outros reclamam da vida dura.
Enquanto alguns poucos amam a vida real
muitos outros remoem o passado e temem o futuro.
O passado não existe. Não existe no sentido de que
quem o descreve só tem uma versão e usa
parâmetros de hoje como base de interpretação.
(Verdade? Qual delas?)
A historia passada só é útil quando vista com
os olhos da arte e só importa para o presente
quando usa acontecimentos exemplares.
O futuro? Este não existe ainda.
Mas ele depende, pelo menos em boa
medida, da historia que se faz hoje.
Duvida?
db
(Sim, ando lendo Nietzsche rsss)

Desobedeça!

Desconfie desopile desobedeça
Sentir o que faz sentido
É que vai fazer sua cabeça.
db 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Opinião de um Ateu sobre Anjos


Se há uma coisa
Que me irrite
São anjos
Sabe, desses que
Ficam o tempo
Todo do seu lado
Metendo o bedelho
Em tudo.
Você não pode
Dar uma
Topada numa
Pedra e lá
Vem eles tirando
A pedra do caminho
E os das crianças então?
Insuportáveis.
Seguram para
Não cair,
Assopram para
Não arder,
Desviam o o dedo
Da tomada.
São tão chatos
Que me recuso
A acreditar que
Existam...
Mas que eles existem...
Ahaaa existem...

Db (19/01/2015)

"Poesia, para mim, sempre foi uma completa surpresa. Não sei de onde vem, não sei para onde vai, só sei que passa por aqui...(db 24/01/2015).

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Idolatrando a dúvida



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"Cuidado com o que dizem. O que dizem que dizem pode não ter sido dito." (db 23/01/2016)

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domingo, 17 de janeiro de 2016

JAZZ

O som
Disciplina(dor)
Que livra o tom
E lava a alma
Vibração que
Permite ouvir
Com a pele
E faz triste(mente)
tocar no
peito o absoluto
sentido
da emoção.
db 17/01/2015

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Dito pelo não dito

Queimou o filme
Virou casaca
Espanou a rosca
Comeu o pão
Cuspiu no prato
Bateu de frente
Passou por cima
Saiu na mão
Encheu o saco
Lavou a roupa
Caiu a ficha
Saiu da área
Livrou a cara
Queimou o chão

db (08/01/2016)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Sem razão: Sem argumento

Discutindo-se com
um louco percebe-se:
Contra a falta
de razão
Não há argumentos.

db - 25/12/2015

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Eu choro largado

O pássaro azul do meu peito
Vive com a gaiola aberta
Chora em silêncio as vezes
Outras chora largado
A emoção teima em
ficar alerta
O pássaro teima
em não ficar calado
Não sei se louco
é o pássaro do meu peito
Ou se a loucura minha
É que não tem mais jeito
Loucura é não ser igual
E seguir a manada
Ou seria secar
e não chorar por nada?

Douglas Bunder 11/15

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Nossa Língua



Nossa língua nos traduz
Apaga o escuro, acende a luz
Em poesia e em prosa
Em João Cabral, Guimarães Rosa
Faz histórias, sensações
Em Fernando Pessoa, em Camões
No xingamento, no afago
Em Drummond, em Saramago
Aqui ou em Portugal
Angola ou Macau
Moçambique, Guiné-Bissal
É tudo diferente e faz tudo igual
Nossa língua nos convém
Nos completa, nos mantém
Nossa língua nos segura
Nos aguenta, nos atura
Nossa é muito louca
Nossa língua
Enche nossa boca

Douglas Bunder (11/2015)
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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Depois da chuva

Enquanto a rã
nada e derrama
coaxos pelo riacho

Eu aqui na cama
Recolho meus achos
e não acho nada


db (10/15)



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sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Idolatrando a dúvida


Para que o definitivo
Se é o provisório
Que permite
Mais
Possibilidades?
Para que o real
Se é o ilusório
Que nos faz
Felizes?
Para que o racional
Se é a emoção
Que nos mantém
Vivos?
Para que o pragmatismo
Se é a utopia
Que faz a
História?
Para que a certeza
Se do pouco que já
Disse
Cada vez menos posso
Afirmar?


db  10/2015

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Como abdicar?

Como abdicar
do verso
Sabendo que
se rimo
rimos 
juntos?
db

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sábado, 5 de setembro de 2015

Sobre a vida e a morte


Morreu afogado
Um menino
Do outro lado do mundo
Ele tinha três anos
Morreu fugindo
Do medo e do terror

Morreu estrangulada
Uma senhora
Aqui na rua ao lado
Ela tinha 65 anos
O namorado a matou
Morreu por amor

Ele foi encontrado
Na praia
Bracinhos ao lado do corpo
Ela foi encontrada na cama
Marcas de estrangulamento
No pescoço

E as TVs de todo o mundo
Noticiaram sobre o garoto
E os programas de  polícia
Mostraram o caso da senhora

Ninguém se incomodou muito
Com a morte dela
Todo mundo (inclusive eu)
Chorou com a morte dele

Então pensei:

Crianças não deveriam morrer.
Senhoras não deveriam se apaixonar?

db 05/06/2015









sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Naufrágio

E naufraga a humanidade
E afogados morremos todos nós
sofrendo a ferida alheia
que é tão nossa
Envergonhados
pela falta de humanidade
da humanidade
As vezes sinto vergonha
de ser gente.

db (04/09/2015)


quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Versinho


Estou vendendo poesia
Pra esvaziar meu coração
A paga pode ser um sorriso
Ou uma lágrima de emoção
Se quiser, pode chorar sozinho
E curtir a solidão
Mas se ela for motivo de alegria
Abra uma garrafa de vinho
E pode chamar os amigos
Pra cantar junto a poesia
Como se fosse uma canção...


db 02/09/2015

sábado, 29 de agosto de 2015

Vamos celebrar a dúvida.

Se o paradigma existe
para ser quebrado
Se a ciência só trabalha 
com hipóteses e teorias
que são sempre substituídas por 
outras hipóteses e outras teorias.
Se não há nada mais perigoso 
do que a certeza de ter razão
Então eu penso em quanto tempo 
eu já perdi com certezas.
Hoje eu prefiro a dúvida.
Certeza é coisa de quem pensa pouco.
É preciso ter um pingo de sabedoria
para entender o quão aguda 
é nossa ignorância.
E na dúvida tem acento e pingo
e o acento.... é agudo!


db (29/08/2015)

"Não há nada mais perigoso do que a certeza de ter razão. É preciso idolatrar a dúvida" Antonio Abujanra

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Não quer GPS em minha vida

Não quero GPS em minha vida
Vou seguir para qualquer lado
Qualquer lado é caminho
Não quero orientação de
Voz eletrônica, sem vida
Quero que o vento me leve
Esse sim, sabedor de atalhos
O mundo é uma miçanga
Pequeno mas cheio de encruzilhadas
Onde nos encontramos
E nos desencontramos também
Então preciso de muitos rumos
quem sabe eu mesmo me encontre
num desses cruzamentos?
Ao invés de triangulação de satélites
Vou triangular o instinto, o prazer e o coração

E aí, eu posso sempre recalcular a minha rota.

db 21/08/2015

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Na Estação da Sé

Na Estação da Sé
Percebe-se o
Quanto a raça
Humana
Está longe da
Extinção
Não acaba mais
É gente saindo
E trem trazendo
Uma desvairada
Confusão
Qualquer um
É todo mundo
Tanto  faz
Todos juntos e
Sós na multidão
Não se conhecem
Mas se encontram
E nunca mais
Não há nada
Que segure
Essa manada
Turba, rebanho,
Essa horda
Vocês vieram
De onde  ?
Pra que
Lugar nenhum
Vocês vão ?
Qualquer
Sentido é caminho
Então andam a esmo
Já que nessa cidade
Qualquer lado
É rua mesmo.


Dodo 08/2015

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Ensimesmando


Ensimesmado ato
De ficar calado
Ouvindo e indo
Em busca
Do sentido.
Sentindo que
Que não faz
Sentido a
Briga desbragada
Pela razão.
Ficar então
Parado / prostrado
Sem poder
De decisão?
Ou  a decisão
É essa mesmo:
O poder da
Leniência
Excessiva tolerância      
Ou a  simples
competência
De ter muito
Tempo
Pra pensar
E mesmo
Assim não
Ter vontade
Nenhuma de
Falar.

Dodo (31/07/2015)



ensimesmado


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terça-feira, 7 de julho de 2015

Maioridade penal

Filho de Maria
Puta de rua
Que não  cuidava da cria
Pai ignorado
Nem tinha notado
A cria sua
Fez o que pode
Aprendeu o que viu
Ninguém ensinou
Nem a puta que o pariu
Não teve escola
Não teve nome
Cresceu quase de esmola
E passando fome
Vergonha foi embora
Medo nunca teve
E começou a roubar
A primeira fez foi foda
Quase que roda
Depois foi de boa
Virou coisa à toa
Arrumou um berro
“- Se atiro não erro
Agora quero o que é meu”
Esse já se fodeu
Ouviu no jornal
Uma cara falando sobre
Maioridade penal
“- O que é isso afinal?
O que adianta esse assunto
Se antes de saber
Eu já vou ser defunto?”

db (07/07/2015)


quinta-feira, 18 de junho de 2015

Paciência

Há de haver paciência.

Entre a concepção e o nascimento
Entre a partida e o reencontro
Entre o plano e o exato momento

Há de haver paciência.

Depois de perder e antes de achar
Depois da doença e antes da cura
Depois de gostar e antes de amar

Há de haver paciência

Logo depois do beijo para que haja sexo
Logo depois do sexo para que haja amor
E na manhã seguinte  para que haja nexo

Há de haver paciência

Depois do insulto para não virar mágoa
Depois da raiva para não virar ódio
Depois do fim para haver recomeço


Há de haver paciência

Entre o azar e a sorte
Entre o sul e o norte
Entre a vida e a morte

Há de haver paciência


db (18/06/2015)

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terça-feira, 26 de maio de 2015

Como me expresso



Como me expresso? Mal, confesso.
Via de regra nem falo Me calo.
As vezes por timidez. Ou sensatez.
As vezes por vontade. Pura maldade.
Entre o dito e o não dito fico com o dito. O Bendito.
Almejo forma e conteúdo. Quero tudo.
Não tenho Xamã nem Don Juan. Mas sou-lhe fã.
E vivendo vou tomando consciência. Nesta ciência
Que vou ser sempre aprendiz. E eu sempre quis.
E entre a prosa e a poesia. Quem diria?
Fico com os dois e deixo o resto pra depois…

db (26/05/2015)

terça-feira, 12 de maio de 2015

Aos bêbados e aos loucos

Tenho cá minhas reservas
com quem não bebe e se
mantem eternamente sóbrio.
Não digo que seja necessário
encher a cara todo dia
mas quem não bebe nem
um tiquinho de nada,
quem não se arrisca a
sair do eixo nunca,
nem que seja
pra virar Batman de
vez em quando
não merece toda
a minha confiança.
Posso não gostar
de todos os bêbados
como não gosto de
todas as pessoas,
mas os bêbados eu
sei quem são...
Já dizia uma tia minha
que o álcool é santo
e tenho em mim que
o que se diz bêbado,
foi pensado sóbrio...

db 12/05/2015

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E me lembrar, sorrindo, que o banheiro
É a igreja de todos os bêbados...”

Cazuza

sábado, 9 de maio de 2015

Não tenho o que dizer em velórios

Eu, que já falo pouco, admito:
Não tenho o que dizer em velórios e enterros
Ou eu não tenho esse dom de confortar com palavras
 ou me sinto constrangido para isso
 ( até porque estou certo de que não terei sucesso )
 Mas, mesmo que não seja de pessoas próximas,
ir a velórios e enterros é importante
Faz parte das obrigações incluídas no
código de comportamento normal das pessoas
( ou será código de comportamento das pessoas normais? )
 Então eu vou à velórios e enterros

Mas nesse código (eu não o conheço muito bem)
parece haver também uma serie de
expressões próprias para a ocasião que incluem:
Meus sentimos, meus pêsames, foi tão de repente etc...

Eu me recuso a dizer: “Meus pesames”
Essa expressão não está em mim.
(embora o sentimento possa até estar)
Ao dizer "meus pêsames"  está implicido
que você está “Pesaroso pelo ocorrido”

Quem estaria “pesaroso pelo ocorrido”
nos dias de hoje?
Essa expressão é muito antiga
Ninguém a fala em situações normais
Hoje as pessoas estão
 “Chateadas com a merda que aconteceu”
Mas isso, não pode ser dito para os
familiares do morto no velório ou enterro

Então eu não falo nada.
Fico na minha.

db (09/05/15)

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Oi. Eu sou o Zé.

Oi,
Eu sou o Zé.
Me conhece?
Não?

Tudo bem...
Não tenho muito
com quem falar.
Então se você
me ouvir
me serve.
E em troca,
te ouço
também...

Sabe,  eu queria
dar minha opinião.
Dar não:
dar é de graça...

E nada que é de graça
tem valor. (dizem)

Eu queria vender.
Mas como não sei
exatamente quanto vale,
me basta explicar:

Minha opinião é expressa
em versos.

(Pronto, olha eu ai
explicando poesia...)

Não... poesia
não tem explicação.

Poesia, só tem que causar
"espécie" !!!

Isso mesmo. Poesia
tem que causar
sensações!

Boas, más,
porém nunca
indiferentes...
A não ser que
sejam
falsamente
indiferentes!


Prefiro que minha
opinião
(portanto poesia)
não seja tranquila... banal...
equanime, social, igual, plural...
( quase de centro esquerda )

Pretendo que provoque
vômito, já que ela é vômito.

E que cause regurgitos mil...


Que provoque reflexão.
Ou não...
Que cause revolta
ou tristeza
ou paixão.


Pretendo que poucos
ou ninguém goste
à que alguns a
achem "boa o suficiente"

Prefiro repulsa,
ódio e até asco

à indiferença...

E peço:

Por favor achem nexo.

Achem nexo!!!!
Mesmo que que o nexo seja nenhum!

Agora... Preciso pagar a conta.
Vou te ouvir.
Qual sua opnião?




db (17/04/2015)

quinta-feira, 16 de abril de 2015

O início


Tudo estava
calmo
Ouvia-se só
um som grave
compassado
e tranquilo
Não havia
tempo
só espera
Não havia chão
flutuava-se
tudo era
devagar
e a cabeça era
deliciosamente
vazia
Tudo era paz e
ritmo
tum-tum,
tum-tum,
tum-tum
Ritmo calmo que
raramente se
acelerava
Mas um dia
o ritmo aumentou.
Alguma coisa
importante ia
acontecer...
Os movimentos
eram diferentes
rápidos
sofridos
Outros sons
se ouviam
Sons assustadores
desconhecidos
e luz...
de repente luz
luz e sons
sons e frio
movimentos
bruscos e
frio,
e de tanto
susto
e fazendo força
um som saiu
de dentro dele
chorou
nasceu e chorou...

db (16/04/2015)
da série "Histórias do Zé"

quarta-feira, 15 de abril de 2015

On the road

Um dia resolveu
parar de pensar
bebeu e concebeu
coisas
coisas que podia
e queria fazer
Escutou com a boca
e ficou
impregnado de odores
cheirou o novo
e pariu idéias novas
esqueceu os
riscos
e realizou
que era
inútil pedir
ajuda a um Deus
no qual não cria
Saiu para o
mundo
mãos dadas
com Keruouac
“on the road”
Viajou
comeu carreiras
cheirou mulheres
e fez tudo
que não tinha
feito ainda
e quando
cansou
cheirou de novo
trepou, desceu
subiu, caiu
levantou
e continuou
até o fim
até não
poder mais
Até não ter
mais forças
cansou
dormiu
Acordou
com o despertador
tocando:
seis e meia
da manhã
Levantou
tomou seu banho
e foi trabalhar
feliz
No final
do dia
ele poderia

sonhar de novo...

db 15/04
da série "Histórias do Zé"

quinta-feira, 9 de abril de 2015

É isso mesmo

É  isso mesmo:
O porra louca
Vai distribuindo
A louca porra
e fazendo
Filhos a esmo...
E no desvareio
vai povoando
o mundo
e provocando
enleio
Distribui
a fome
Nem empresta
o nome
e logo some
Ninguém avisou
ao insano
que a água
do mundo
está acabando?
Ninguém avisou
ao demente
que neste
pequeno mundo
já tem muita gente?


db (09/04/2015)

terça-feira, 7 de abril de 2015

Outono

 
As palavras tem saído
cuspidas e só saliva
antes fossem catarro
Ai seria a borra criativa
do sarro do cigarro
...

Sem ciência para pessoas
Nem para fernandos
Estou mais para cinza
quase ranzinza
quase Bukowski
Comungando niilismo
Sem paciência
para aforismo
Foda-se Nietzsche
...

Nem um regurgito
que valha a pena
Nem vômito
que faca a cena
Nem um choro
para inspirar
nem uma gargalhada
que escancare
O que nao quero
mostrar

...

Não estou
nem de prosa e nem de verso
e pra conversa tao pouco
estou
no acesso do inverso
No vazio do oco
...

As folhas caem mortas
Junto rimas escrotas
Chegou o outono
só me vem ideias rotas

Sem inspiracao, só sono


db (07/04/2015)
(outono)

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Fugi de escrever

Fugi de escrever

pra não ter que dizer
O que você  já sabe
 
Não sei por que fugi
Só sei que o branco
da página que não escrevi
Exigiu um escrito
que  demorou a sair
e agora saiu
feito um regurgito
 
Não sei se notou
muito tempo passou
Muita dor e ferida
Muita água rolou
umas vezes pura
outras poluída
 
e entre afetos e
desafetos
Já estamos juntos
há duas filhas e
dois netos
 
Fugi de escrever
Talvez porque tenha
ficado difícil dizer
O que é tao simples: 
 

Amo você

db (06/04/2015)

"E que as palavras
difíceis
que sempre temi 
dizer
podem agora ser
ditas:

Eu te
amo. "  (Confissões - Charles Bukowisk)

sábado, 21 de março de 2015

Viver é foda!

Podemos sempre mudar de opinião
E isso não nos torna menos dignos
A gente pode sempre se arrepender
Mas isso não nos tornará menos culpados
As vezes podemos voltar atrás
O que não mudará o que foi feito
Mas podemos aprender com tudo isso
ou não...
db 21/03/2015

sexta-feira, 13 de março de 2015

Construções

Aquele prédio matou o sol
O outro apagou as estrelas
Sei que elas ainda existem
Mas não consigo mais ve-las
Vejo asfalto e construção
E lá se vai a natureza
Fica tudo impermeável
Sobra o concreto e sua dureza
Agora só se enxerga o perto
O longe já não se vê
Sei que o longe ainda existe
Mas só o vejo na TV
Um dia ainda vamos embora
Prum lugar onde paisagem é logo ali
Onde há cheiro de terra molhada
Onde há canto de bem-te-vi

db (13/03/2015)
sexta feira 13/mesmo

"Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz..."

Manuel Bandeira

quarta-feira, 11 de março de 2015

Tempos maquiavélicos

Nicolau Maquiavel viveu na primeira metade do seculo XVI. Ele admirava Cesar Borgia que era filho do Papa Alexandre 6. 

Borgia nomeou Remirro de Orco para governar a província de Romanha. Sua missao  era apaziguar a região e para esse intento o governador usou de muita violência com a concordância de Borgia.  Tendo a missão cumprida, seu chefe imaginou que a população  se voltaria contra ele e então mandou matar o governador e expôs seu corpo partido em dois em praça pública.

Para Maquiavel, Borgia era um líder virtuoso que não media esforços para manter a paz. Borgia entrou para história temido e admirado pelo auto do clássico "O Príncipe".

Embora não seja de sua autoria, a frase que talvez melhor defina o pensamento de Maquiavel  é  “ Os fins justificam os meios”.

Maquiavel inaugurou a idéia da prática política independente de valores como a honestidade, e sinceridade,  onde o importante é se manter no poder.

Em "O Príncipe", ele mostra que a quebra de promessas, a mentira, a dissimulação e até o assassinato de inimigos são próprios da política.

Alguma semelhança com nossos políticos? Não, claro que não...

db 11/03/2015

"Nao se afaste do bem, mas saiba valer-se do mal, se necessário."
 Maquiavel


terça-feira, 3 de março de 2015

Verdade perfeita

Quer a verdade?
Me explique qual delas.
A sua, a minha ou nenhuma destas?
Prefere a que eu não quero contar
Ou a que você quer ouvir?
Quantas verdades existem?
Uma só. Só a sua.
A única  é aquela
na qual acreditamos.
Pena que não é tão única assim
Por mais que isso  irrite
Por mais que se discuta
Outros tem outras verdades
Quer uma verdade que não te ofenda?
Me diga no que você acredita
E eu acharei uma verdade perfeita.

db 03/03/2015
religiao/face/tato

"Doa  a quem doer. Doe a verdade" db

Fui e voltei

Ontém havia árvore com com muita sombra
Hoje ar condicionado com muitos BTUs
Hoje o número de helicópteros me assombra
Ontém no céu eu só via urubus
Agora vejo TV  com com pixels a dar com pau
Antes eu via janela com vista pro meu quintal
Tenho agora um smartphone com memoria gigante
No passado eu tinha duas latinhas e um barbante
Eu empinava pipa e jogava dominó
Hoje ver crianças brincando me dá dó
Naquele tempo eu corria pra rua e jogava bola
Hoje as crianças crescem dentro da escola
Eu tinha um cachorro chamado Pirata
E meu amigo tinha um gato chamado Frajola
Os dois viviam na rua, o gato e o vira-lata
E nós odiavamos passarinho na gaiola
Minha cabeça era núvem e meu olho era água
Minha mão era árvore e meu pé era chão
Não tinha stress, nem ódio, nem mágoa
Não havia pressa, nem tristeza, nem solidão

db 03/03/2015


"Só empós de virar traste que o homem é poesia" (Manoel de Barros)
só/tarde/calor

Doa a quem doer, doe a verdade

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Merda!


Escrever é uma merda:
Te escancara!

Fernando Pessoa é uma merda:
Me escancara!

(Finjo tão completamente
Que chego a fingir que é dor
a dor que deveras sinto...)

A dor é uma merda:
eu a descrevo e me escancaro!

E os que lêem são uma merda:
Pensam que entendem a dor que sinto!

(Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não tem.)

Eu sou uma merda:
Quando não quero escancarar!

(Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!)

O arrependimento de ter escrito é uma merda:
Me escancarei!

Mas já escrevi:
Merda!


db Merda! (28/02/2015)
tarde/cinza/chuva

Fernando Pessoa em "Autopsicografia" e "Isto"

Juízo sem final

Quando a respiração é rara
Quando é pesado o peito
E nada que se faça sara
Quando não se encontra o jeito

Quando o erro é presente
Quando a culpa não se afasta
E o castigo é recorrente
E já não basta e nunca basta

Quando calar já é remédio
Que não cura e que vicia
E quando o vício causa o tédio
Silêncio que  não alivia

Recolher-se é preciso
Mesmo que sem prazer
E se não me falha o juízo
Aí o jeito é escrever

db 28/02/2015
sábado/chuva/dor

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

"A vida é água na peneira"

Não quero falar da morte

Não quero falar da morte
porque a vida me é rara
feito ar puro
em cidade grande
feito cheiro de mar
onde não tem mar

Não quero falar da morte
porque muitas vezes
já morri por medo dela
morri quando me calei
e devia falar
Morri quando fui
indiferente e devia
ter chorado

Não que falar da morte
porque dela quero distância
embora eu saiba que
ela ande ao meu lado
na espreita
e vou me esquivando
com a destreza de
quem tem medo

Não quero falar da morte
porque (embora com medo)
sinto prazer em desafia-la
e aprecio o gosto
amargo do perigo
perigo que é primo da morte

Não quero falar da morte
porque ela é companheira
de viagem
e embora se pense virgem
a morte é mulher da vida
e se deita com todos
e com ela todos se deitam

db 23/02/2015

"A vida é água na peneira" db