Idolatro a dúvida sempre.
Até que a única certeza me leve.
E que seja leve.
db 28/06/2016
quinta-feira, 30 de junho de 2016
quinta-feira, 23 de junho de 2016
Por que?
Por que ?
Hoje
A Jiripoca pode piar
A Ema pode gemer
O jacaré pode nadar de
costas
O Burro pode empacar
A vaca pode ir pro brejo
O boi pode bumbá
Urubu pode virar meu
louro
A cobra pode fumar
O cão pode chupar manga
O tamanduá pode dar
bandeira
Tico-tico pode ficar no
fubá
A porca pode torcer o
rabo
A égua pode ser lavada
O gato preto pode cruzar
a estrada
Mas a onça...
A onça não pode mais
beber água...
Por que?
db (28/06/2016)
![]() |
| Juma |
quinta-feira, 16 de junho de 2016
O Muro (visto lá de cima)
As vezes socamos o ar
e não a parede.
Preservamos a mão
num gesto insuficiente.
As vezes é preciso sangrar.
As vezes mentimos
ao ficar calados
quando é importante falar.
Quebrar o muro
quando estamos em cima dele
nos faz cair na realidade.
As vezes é imprescindível assumir posições.
Porém sem nunca deixar
De idolatrar
a dúvida.
Db (16/06/2016)
quinta-feira, 9 de junho de 2016
Como abdicar
Como abdicar
do verso se quando rimo
rimos
juntos?
db
db
![]() |
| Poesia no azulejo - Para comprar clique na imagem |
Marcadores:
Poesia,
Poesia no Azulejo
segunda-feira, 6 de junho de 2016
Laura
Talvez você seja a poesia ao contrário.
Uma daquelas bem arretadas.
Daquelas de fazer chorar de raiva e amor
Que faz engolir em seco
Pura explosão de quase raiva
Centro de um mundo tão seu
Foge de mim as palavras as vezes
Talvez porque a calma que procuro na poesia
Não encontro no vulcão sempre
Pronto a explodir que você leva no peito
Para que o verso saia fluido é
Preciso garoa e você é tempestade
Uma tempestade que faz barulho
Até ensurdecer
Inunda até quase afogar
Então a poesia sai assim
Aos trancos
Não porque você não inspire
(como se fosse possível você não inspirar)
Não porque não te ame
(como se não te amar fosse possível)
Mas porque talvez
você seja a poesia ao contrário
E a poesia ao contrário também é linda!
Daquelas de fazer chorar de raiva e amor
Que faz engolir em seco
Pura explosão de quase raiva
Centro de um mundo tão seu
Foge de mim as palavras as vezes
Talvez porque a calma que procuro na poesia
Não encontro no vulcão sempre
Pronto a explodir que você leva no peito
Para que o verso saia fluido é
Preciso garoa e você é tempestade
Uma tempestade que faz barulho
Até ensurdecer
Inunda até quase afogar
Então a poesia sai assim
Aos trancos
Não porque você não inspire
(como se fosse possível você não inspirar)
Não porque não te ame
(como se não te amar fosse possível)
Mas porque talvez
você seja a poesia ao contrário
E a poesia ao contrário também é linda!
db (02/06/2015)
Nem só de amor fala a poesia
Nem só de flor é feita a menina
Nem mesmo eu
Que me conheço desde que me sou
Sei de onde vim, nem pra onde vou
De longe, no caos não se vê leveza
É difícil fugir da nossa própria natureza
Se eu pudesse escolher
Entre ser dor ou ser flor
Só de sorrisos poderia viver
Mas é no meio desse furacão que mostro quem sou
E ainda assim, (juro)
No caos existe amor.
LB (02/06/2016)
Nem só de amor fala a poesia
Nem só de flor é feita a menina
Nem mesmo eu
Que me conheço desde que me sou
Sei de onde vim, nem pra onde vou
De longe, no caos não se vê leveza
É difícil fugir da nossa própria natureza
Se eu pudesse escolher
Entre ser dor ou ser flor
Só de sorrisos poderia viver
Mas é no meio desse furacão que mostro quem sou
E ainda assim, (juro)
No caos existe amor.
LB (02/06/2016)
quinta-feira, 2 de junho de 2016
Retorno
(para Aninha)
E de repente
Meu quarto de novo
A mesma Janis na parede
A mesma cama desarrumada
Roupas jogadas no chão
Na cabeça um tempo
Que não devia acabar nunca
Umas pessoas que fazem falta
Porque representam
Liberdade, amizade, felicidade
Que fazem o peito respirar leve
E que depois de passado
Trazem suspiros
Um tempo que
Não quero que acabe nunca
E que não vou deixar acabar
Mesmo que nunca mais volte
E de repente
Meu quarto de novo
E realizo que a vida
É um eterno retorno
E é assim que tem que ser...
E de repente
Meu quarto de novo
A mesma Janis na parede
A mesma cama desarrumada
Roupas jogadas no chão
Na cabeça um tempo
Que não devia acabar nunca
Umas pessoas que fazem falta
Porque representam
Liberdade, amizade, felicidade
Que fazem o peito respirar leve
E que depois de passado
Trazem suspiros
Um tempo que
Não quero que acabe nunca
E que não vou deixar acabar
Mesmo que nunca mais volte
E de repente
Meu quarto de novo
E realizo que a vida
É um eterno retorno
E é assim que tem que ser...
quarta-feira, 1 de junho de 2016
Poesia
Poesia é uma janela
Em que você vê, através dela
O que acontece lá dentro
De você
Poesia é uma tela
Em que você pinta, borra e pincela
Tudo o que te rodeia e que está dentro
De você
Poesia é fazer de conta a realidade
Que você monta à vontade
E esconder toda a verdade que está dentro
De você
Poesia é fazer a casa cair
É não ter para onde ir
A não ser ir para dentro
De você
A poesia sempre está dentro
De você
db (01/06/2016)
segunda-feira, 30 de maio de 2016
Insônia
Essa noite
Enquanto não dormia
Pensei um troço:
O que tenho que fazer
Não me apetece tanto
Quando a vontade que tenho
De fazer o que não posso
E de tanto pensar
Criei um outro alguém
Que já é meu sócio
E foi tanta madrugada
Eu e ele acordado
Sem resolver nada
Que ficou combinado
Que eu faço o que posso
E ele fica só com o
ócio...
db (30/05/2016)
quinta-feira, 28 de abril de 2016
haikaindo
"Com o o tempo
Vamos haikai(ndo)
na concisão
Embora seja
o proselitismo
que nos encha
de razão"
db
Vamos haikai(ndo)
na concisão
Embora seja
o proselitismo
que nos encha
de razão"
db
sexta-feira, 22 de abril de 2016
Virou traste
E tanto fez
e tanto brigou
e tanto espremeu
e tanto chorou
e tanto sumiu
e tanto voltou
e tanto lutou
com sua agonia
que acabou sendo traste
e virando poesia...
e tanto brigou
e tanto espremeu
e tanto chorou
e tanto sumiu
e tanto voltou
e tanto lutou
com sua agonia
que acabou sendo traste
e virando poesia...
db
sexta-feira, 18 de março de 2016
quarta-feira, 9 de março de 2016
Mulher
Para as que acordam cedo
Para as que nem dormem
Para as santas
Para as prostitutas
Para as lésbicas
Para as mães
Para as que abortaram
Para as que apanham dos seus homens
Para as que sustentam a família
Para as que moram na favela
Para as que defendem tese
Para as que só assistem novela
Para as que acreditam numa causa
Para as que causam
Para as que criam
Para as que foram estupradas
Para as que são abusadas
Meus sentimentos
Meus cumprimentos
Meus agradecimentos
Meus parabéns
Db (03/16)
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
Remoendo Nietzsche
O passado é agora, o futuro é hoje.
O passado não existe.
É só uma representação do que ocorreu.
E quando lembramos dele, lembramos agora.
O futuro também não existe.
É só uma esperança.
E quando o imaginamos, o fazemos hoje.
A vida real é o presente. Só ela existe. O resto é metafísica.
E então por que vivemos remoendo o passado
E temendo o futuro?
É só uma representação do que ocorreu.
E quando lembramos dele, lembramos agora.
O futuro também não existe.
É só uma esperança.
E quando o imaginamos, o fazemos hoje.
A vida real é o presente. Só ela existe. O resto é metafísica.
E então por que vivemos remoendo o passado
E temendo o futuro?
Douglas Bunder
Ando Lendo Nietzsche
Enquanto alguns poucos fazem a historia
muitos outros reclamam da vida dura.
Enquanto alguns poucos amam a vida real
muitos outros remoem o passado e temem o futuro.
O passado não existe. Não existe no sentido de que
quem o descreve só tem uma versão e usa
parâmetros de hoje como base de interpretação.
(Verdade? Qual delas?)
A historia passada só é útil quando vista com
os olhos da arte e só importa para o presente
quando usa acontecimentos exemplares.
O futuro? Este não existe ainda.
Mas ele depende, pelo menos em boa
medida, da historia que se faz hoje.
Duvida?
muitos outros reclamam da vida dura.
Enquanto alguns poucos amam a vida real
muitos outros remoem o passado e temem o futuro.
O passado não existe. Não existe no sentido de que
quem o descreve só tem uma versão e usa
parâmetros de hoje como base de interpretação.
(Verdade? Qual delas?)
A historia passada só é útil quando vista com
os olhos da arte e só importa para o presente
quando usa acontecimentos exemplares.
O futuro? Este não existe ainda.
Mas ele depende, pelo menos em boa
medida, da historia que se faz hoje.
Duvida?
db
(Sim, ando lendo Nietzsche rsss)
domingo, 31 de janeiro de 2016
"Existe ordem no caos ou a ordem é um caos organizadinho?" (db 30/01/2016)
sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
Opinião de um Ateu sobre Anjos
Se há uma coisa
Que me irrite
São anjos
Sabe, desses que
Ficam o tempo
Todo do seu lado
Metendo o bedelho
Em tudo.
Você não pode
Dar uma
Topada numa
Pedra e lá
Vem eles tirando
A pedra do caminho
E os das crianças então?
Insuportáveis.
Seguram para
Não cair,
Assopram para
Não arder,
Desviam o o dedo
Da tomada.
São tão chatos
Que me recuso
A acreditar que
Existam...
Mas que eles existem...
Ahaaa existem...
Db (19/01/2015)
"Poesia, para mim, sempre foi uma completa surpresa. Não sei de onde vem, não sei para onde vai, só sei que passa por aqui...(db 24/01/2015).
domingo, 17 de janeiro de 2016
JAZZ
O som
Disciplina(dor)
Que livra o tom
E lava a alma
Vibração que
Permite ouvir
Com a pele
E faz triste(mente)
tocar no
peito o absoluto
sentido
da emoção.
Que livra o tom
E lava a alma
Vibração que
Permite ouvir
Com a pele
E faz triste(mente)
tocar no
peito o absoluto
sentido
da emoção.
db 17/01/2015
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
Dito pelo não dito
Queimou o filme
Virou casaca
Espanou a rosca
Comeu o pão
Virou casaca
Espanou a rosca
Comeu o pão
Cuspiu no prato
Bateu de frente
Passou por cima
Saiu na mão
Encheu o saco
Lavou a roupa
Caiu a ficha
Saiu da área
Livrou a cara
Queimou o chão
Bateu de frente
Passou por cima
Saiu na mão
Encheu o saco
Lavou a roupa
Caiu a ficha
Saiu da área
Livrou a cara
Queimou o chão
db (08/01/2016)
segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
Sem razão: Sem argumento
Discutindo-se com
um louco percebe-se:
um louco percebe-se:
Contra a falta
de razão
Não há argumentos.
de razão
Não há argumentos.
db - 25/12/2015
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
Eu choro largado
O pássaro azul do meu peito
Vive com a gaiola aberta
Chora em silêncio as vezes
Outras chora largado
A emoção teima em
ficar alerta
O pássaro teima
em não ficar calado
Não sei se louco
é o pássaro do meu peito
Ou se a loucura minha
É que não tem mais jeito
Loucura é não ser igual
E seguir a manada
Ou seria secar
e não chorar por nada?
Chora em silêncio as vezes
Outras chora largado
A emoção teima em
ficar alerta
O pássaro teima
em não ficar calado
Não sei se louco
é o pássaro do meu peito
Ou se a loucura minha
É que não tem mais jeito
Loucura é não ser igual
E seguir a manada
Ou seria secar
e não chorar por nada?
Douglas Bunder 11/15
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
Nossa Língua
Nossa língua nos traduz
Apaga o escuro, acende a luz
Em poesia e em prosa
Em João Cabral, Guimarães Rosa
Faz histórias, sensações
Em Fernando Pessoa, em Camões
No xingamento, no afago
Em Drummond, em Saramago
Aqui ou em Portugal
Angola ou Macau
Moçambique, Guiné-Bissal
É tudo diferente e faz tudo igual
Nossa língua nos convém
Nos completa, nos mantém
Nossa língua nos segura
Nos aguenta, nos atura
Nossa é muito louca
Nossa língua
Enche nossa boca
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
Depois da chuva
Enquanto a rã
nada e derrama
coaxos pelo riacho
Eu aqui na cama
Recolho meus achos
e não acho nada
db (10/15)
nada e derrama
coaxos pelo riacho
Eu aqui na cama
Recolho meus achos
e não acho nada
db (10/15)
![]() |
| Poesia no Azulejo - Para comprar clique na imagem |
sexta-feira, 2 de outubro de 2015
Idolatrando a dúvida
Para que o definitivo
Se é o provisório
Que permite
Mais
Possibilidades?
Para que o real
Se é o ilusório
Que nos faz
Felizes?
Para que o racional
Se é a emoção
Que nos mantém
Vivos?
Para que o pragmatismo
Se é a utopia
Que faz a
História?
Para que a certeza
Se do pouco que já
Disse
Cada vez menos posso
Afirmar?
db 10/2015
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
Como abdicar?
sábado, 5 de setembro de 2015
Sobre a vida e a morte
Morreu afogado
Um menino
Do outro lado do mundo
Ele tinha três anos
Morreu fugindo
Do medo e do terror
Morreu estrangulada
Uma senhora
Aqui na rua ao lado
Ela tinha 65 anos
O namorado a matou
Morreu por amor
Ele foi encontrado
Na praia
Bracinhos ao lado do corpo
Ela foi encontrada na cama
Marcas de estrangulamento
No pescoço
E as TVs de todo o mundo
Noticiaram sobre o garoto
E os programas de polícia
Mostraram o caso da senhora
Ninguém se incomodou muito
Com a morte dela
Todo mundo (inclusive eu)
Chorou com a morte dele
Então pensei:
Crianças não deveriam morrer.
Senhoras não deveriam se apaixonar?
db 05/06/2015
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
Naufrágio
E naufraga a humanidade
E afogados morremos todos nós
sofrendo a ferida alheia
que é tão nossa
Envergonhados
pela falta de humanidade
da humanidade
As vezes sinto vergonha
de ser gente.
db (04/09/2015)
E afogados morremos todos nós
sofrendo a ferida alheia
que é tão nossa
Envergonhados
pela falta de humanidade
da humanidade
As vezes sinto vergonha
de ser gente.
db (04/09/2015)
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
Versinho
Estou vendendo poesia
Pra esvaziar meu coração
A paga pode ser um sorriso
Ou uma lágrima de emoção
Se quiser, pode chorar sozinho
E curtir a solidão
Mas se ela for motivo de alegria
Abra uma garrafa de vinho
Mas se ela for motivo de alegria
Abra uma garrafa de vinho
E pode chamar os amigos
Pra cantar junto a poesia
Como se fosse uma canção...
db 02/09/2015
sábado, 29 de agosto de 2015
Vamos celebrar a dúvida.
Se o paradigma existe
para ser quebrado
Se a ciência só trabalha
com hipóteses e teorias
que são sempre substituídas por
outras hipóteses e outras teorias.
Se não há nada mais perigoso
do que a certeza de ter razão
Então eu penso em quanto tempo
eu já perdi com certezas.
Hoje eu prefiro a dúvida.
Certeza é coisa de quem pensa pouco.
É preciso ter um pingo de sabedoria
para entender o quão aguda
é nossa ignorância.
E na dúvida tem acento e pingo
e o acento.... é agudo!
db (29/08/2015)
"Não há nada mais perigoso do que a certeza de ter razão. É preciso idolatrar a dúvida" Antonio Abujanra
para ser quebrado
Se a ciência só trabalha
com hipóteses e teorias
que são sempre substituídas por
outras hipóteses e outras teorias.
Se não há nada mais perigoso
do que a certeza de ter razão
Então eu penso em quanto tempo
eu já perdi com certezas.
Hoje eu prefiro a dúvida.
Certeza é coisa de quem pensa pouco.
É preciso ter um pingo de sabedoria
para entender o quão aguda
é nossa ignorância.
E na dúvida tem acento e pingo
e o acento.... é agudo!
db (29/08/2015)
"Não há nada mais perigoso do que a certeza de ter razão. É preciso idolatrar a dúvida" Antonio Abujanra
sexta-feira, 21 de agosto de 2015
Não quer GPS em minha vida
Não quero GPS em minha vida
Vou seguir para qualquer lado
Qualquer lado é caminho
Não quero orientação de
Voz eletrônica, sem vida
Quero que o vento me leve
Esse sim, sabedor de atalhos
O mundo é uma miçanga
Pequeno mas cheio de encruzilhadas
Onde nos encontramos
E nos desencontramos também
Então preciso de muitos rumos
quem sabe eu mesmo me encontre
num desses cruzamentos?
Ao invés de triangulação de satélites
Vou triangular o instinto, o prazer e o coração
E aí, eu posso sempre recalcular a minha rota.
db 21/08/2015
sexta-feira, 14 de agosto de 2015
Na Estação da Sé
Na Estação da Sé
Percebe-se o
Quanto a raça
Humana
Está longe da
Extinção
Não acaba mais
É gente saindo
E trem trazendo
Uma desvairada
Confusão
Qualquer um
É todo mundo
Tanto faz
Todos juntos e
Sós na multidão
Não se conhecem
Mas se encontram
E nunca mais
Não há nada
Que segure
Essa manada
Turba, rebanho,
Essa horda
Vocês vieram
De onde ?
Pra que
Lugar nenhum
Vocês vão ?
Qualquer
Sentido é caminho
Então andam a esmo
Já que nessa cidade
Qualquer lado
É rua mesmo.
Dodo 08/2015
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
sexta-feira, 31 de julho de 2015
Ensimesmando
Ensimesmado ato
De ficar calado
Ouvindo e indo
Em busca
Do sentido.
Sentindo que
Que não faz
Sentido a
Briga desbragada
Pela razão.
Ficar então
Parado / prostrado
Sem poder
De decisão?
Ou a decisão
É essa mesmo:
O poder da
Leniência
Excessiva tolerância
Ou a simples
competência
De ter muito
Tempo
Pra pensar
E mesmo
Assim não
Ter vontade
Nenhuma de
Falar.
Dodo (31/07/2015)
terça-feira, 7 de julho de 2015
Maioridade penal
Filho de Maria
Puta de rua
Que não cuidava da cria
Pai ignorado
Nem tinha notado
A cria sua
Fez o que pode
Aprendeu o que viu
Ninguém ensinou
Nem a puta que o pariu
Não teve escola
Não teve nome
Cresceu quase de esmola
E passando fome
Vergonha foi embora
Medo nunca teve
E começou a roubar
A primeira fez foi foda
Quase que roda
Depois foi de boa
Virou coisa à toa
Arrumou um berro
“- Se atiro não erro
Agora quero o que é meu”
Esse já se fodeu
Ouviu no jornal
Uma cara falando sobre
Maioridade penal
“- O que é isso afinal?
O que adianta esse assunto
Se antes de saber
Eu já vou ser defunto?”
db (07/07/2015)
quinta-feira, 18 de junho de 2015
Paciência
Há de haver paciência.
Entre a concepção e o nascimento
Entre a partida e o reencontro
Entre o plano e o exato momento
Há de haver paciência.
Depois de perder e antes de achar
Depois da doença e antes da cura
Depois de gostar e antes de amar
Há de haver paciência
Logo depois do beijo para que haja sexo
Logo depois do sexo para que haja amor
E na manhã seguinte para que haja nexo
Há de haver paciência
Depois do insulto para não virar mágoa
Depois da raiva para não virar ódio
Depois do fim para haver recomeço
Há de haver paciência
Entre o azar e a sorte
Entre o sul e o norte
Entre a vida e a morte
Há de haver paciência
db (18/06/2015)
Entre a concepção e o nascimento
Entre a partida e o reencontro
Entre o plano e o exato momento
Há de haver paciência.
Depois de perder e antes de achar
Depois da doença e antes da cura
Depois de gostar e antes de amar
Há de haver paciência
Logo depois do beijo para que haja sexo
Logo depois do sexo para que haja amor
E na manhã seguinte para que haja nexo
Há de haver paciência
Depois do insulto para não virar mágoa
Depois da raiva para não virar ódio
Depois do fim para haver recomeço
Há de haver paciência
Entre o azar e a sorte
Entre o sul e o norte
Entre a vida e a morte
Há de haver paciência
db (18/06/2015)
| Poesia no azulejo - Para comprar clique na imagem |
![]() |
| Poesia no azulejo - Para comprar clique na imagem |
terça-feira, 26 de maio de 2015
Como me expresso
Como me expresso? Mal, confesso.
Via de regra nem falo Me calo.
As vezes por timidez. Ou sensatez.
As vezes por vontade. Pura maldade.
Entre o dito e o não dito fico com o dito. O Bendito.
Almejo forma e conteúdo. Quero tudo.
Não tenho Xamã nem Don Juan. Mas sou-lhe fã.
E vivendo vou tomando consciência. Nesta ciência
Que vou ser sempre aprendiz. E eu sempre quis.
E entre a prosa e a poesia. Quem diria?
Fico com os dois e deixo o resto pra depois…
db (26/05/2015)
terça-feira, 12 de maio de 2015
Aos bêbados e aos loucos
Tenho cá
minhas reservas
com quem
não bebe e se
mantem
eternamente sóbrio.
Não digo
que seja necessário
encher a
cara todo dia
mas quem
não bebe nem
um tiquinho
de nada,
quem não se
arrisca a
sair do
eixo nunca,
nem que
seja
pra virar
Batman de
vez em
quando
não merece
toda
a
minha confiança.
Posso não
gostar
de todos os
bêbados
como não
gosto de
todas as pessoas,
mas os
bêbados eu
sei quem
são...
Já dizia
uma tia minha
que o
álcool é santo
e tenho em
mim que
o que se
diz bêbado,
foi pensado
sóbrio...
Cazuza
sábado, 9 de maio de 2015
Não tenho o que dizer em velórios
Eu, que já falo pouco, admito:
Não tenho o que dizer em velórios e enterros
Ou eu não tenho esse dom de confortar com palavras
ou me sinto constrangido para isso
( até porque estou certo de que não terei sucesso )
Mas, mesmo que não seja de pessoas próximas,
ir a velórios e enterros é importante
Faz parte das obrigações incluídas no
código de comportamento normal das pessoas
( ou será código de comportamento das pessoas normais? )
Então eu vou à velórios e enterros
Mas nesse código (eu não o conheço muito bem)
parece haver também uma serie de
expressões próprias para a ocasião que incluem:
Meus sentimos, meus pêsames, foi tão de repente etc...
Eu me recuso a dizer: “Meus pesames”
Essa expressão não está em mim.
(embora o sentimento possa até estar)
Ao dizer "meus pêsames" está implicido
que você está “Pesaroso pelo ocorrido”
Quem estaria “pesaroso pelo ocorrido”
nos dias de hoje?
Essa expressão é muito antiga
Ninguém a fala em situações normais
Hoje as pessoas estão
“Chateadas com a merda que aconteceu”
Mas isso, não pode ser dito para os
familiares do morto no velório ou enterro
Então eu não falo nada.
Fico na minha.
db (09/05/15)
Não tenho o que dizer em velórios e enterros
Ou eu não tenho esse dom de confortar com palavras
ou me sinto constrangido para isso
( até porque estou certo de que não terei sucesso )
Mas, mesmo que não seja de pessoas próximas,
ir a velórios e enterros é importante
Faz parte das obrigações incluídas no
código de comportamento normal das pessoas
( ou será código de comportamento das pessoas normais? )
Então eu vou à velórios e enterros
Mas nesse código (eu não o conheço muito bem)
parece haver também uma serie de
expressões próprias para a ocasião que incluem:
Meus sentimos, meus pêsames, foi tão de repente etc...
Eu me recuso a dizer: “Meus pesames”
Essa expressão não está em mim.
(embora o sentimento possa até estar)
Ao dizer "meus pêsames" está implicido
que você está “Pesaroso pelo ocorrido”
Quem estaria “pesaroso pelo ocorrido”
nos dias de hoje?
Essa expressão é muito antiga
Ninguém a fala em situações normais
Hoje as pessoas estão
“Chateadas com a merda que aconteceu”
Mas isso, não pode ser dito para os
familiares do morto no velório ou enterro
Então eu não falo nada.
Fico na minha.
db (09/05/15)
sexta-feira, 17 de abril de 2015
Oi. Eu sou o Zé.
Oi,
Eu sou o Zé.
Me conhece?
Não?
Tudo bem...
Não tenho muito
com quem falar.
Então se você
me ouvir
me serve.
E em troca,
te ouço
também...
Sabe, eu queria
dar minha opinião.
Dar não:
dar é de graça...
E nada que é de graça
tem valor. (dizem)
Eu queria vender.
Mas como não sei
exatamente quanto vale,
me basta explicar:
Minha opinião é expressa
em versos.
(Pronto, olha eu ai
explicando poesia...)
Não... poesia
não tem explicação.
Poesia, só tem que causar
"espécie" !!!
Isso mesmo. Poesia
tem que causar
sensações!
Boas, más,
porém nunca
indiferentes...
A não ser que
sejam
falsamente
indiferentes!
Prefiro que minha
opinião
(portanto poesia)
não seja tranquila... banal...
equanime, social, igual, plural...
( quase de centro esquerda )
Pretendo que provoque
vômito, já que ela é vômito.
E que cause regurgitos mil...
Que provoque reflexão.
Ou não...
Que cause revolta
ou tristeza
ou paixão.
Pretendo que poucos
ou ninguém goste
à que alguns a
achem "boa o suficiente"
Prefiro repulsa,
ódio e até asco
à indiferença...
E peço:
Por favor achem nexo.
Achem nexo!!!!
Mesmo que que o nexo seja nenhum!
Agora... Preciso pagar a conta.
Vou te ouvir.
Qual sua opnião?
db (17/04/2015)
Eu sou o Zé.
Me conhece?
Não?
Tudo bem...
Não tenho muito
com quem falar.
Então se você
me ouvir
me serve.
E em troca,
te ouço
também...
Sabe, eu queria
dar minha opinião.
Dar não:
dar é de graça...
E nada que é de graça
tem valor. (dizem)
Eu queria vender.
Mas como não sei
exatamente quanto vale,
me basta explicar:
Minha opinião é expressa
em versos.
(Pronto, olha eu ai
explicando poesia...)
Não... poesia
não tem explicação.
Poesia, só tem que causar
"espécie" !!!
Isso mesmo. Poesia
tem que causar
sensações!
Boas, más,
porém nunca
indiferentes...
A não ser que
sejam
falsamente
indiferentes!
Prefiro que minha
opinião
(portanto poesia)
não seja tranquila... banal...
equanime, social, igual, plural...
( quase de centro esquerda )
Pretendo que provoque
vômito, já que ela é vômito.
E que cause regurgitos mil...
Que provoque reflexão.
Ou não...
Que cause revolta
ou tristeza
ou paixão.
Pretendo que poucos
ou ninguém goste
à que alguns a
achem "boa o suficiente"
Prefiro repulsa,
ódio e até asco
à indiferença...
E peço:
Por favor achem nexo.
Achem nexo!!!!
Mesmo que que o nexo seja nenhum!
Agora... Preciso pagar a conta.
Vou te ouvir.
Qual sua opnião?
db (17/04/2015)
quinta-feira, 16 de abril de 2015
O início
Tudo estava
calmo
Ouvia-se só
um som grave
compassado
e tranquilo
Não havia
tempo
só espera
Não havia chão
flutuava-se
tudo era
devagar
e a cabeça era
deliciosamente
vazia
Tudo era paz e
ritmo
tum-tum,
tum-tum,
tum-tum
Ritmo calmo que
raramente se
acelerava
Mas um dia
o ritmo aumentou.
Alguma coisa
importante ia
acontecer...
Os movimentos
eram diferentes
rápidos
sofridos
Outros sons
se ouviam
Sons assustadores
desconhecidos
e luz...
de repente luz
luz e sons
sons e frio
movimentos
bruscos e
frio,
e de tanto
susto
e fazendo força
um som saiu
de dentro dele
chorou
nasceu e chorou...
db (16/04/2015)
da série "Histórias do Zé"
quarta-feira, 15 de abril de 2015
On the road
Um dia resolveu
parar de pensar
bebeu e concebeu
coisas
coisas que podia
e queria fazer
Escutou com a boca
e ficou
impregnado de odores
cheirou o novo
e pariu idéias novas
esqueceu os
riscos
e realizou
que era
inútil pedir
ajuda a um Deus
no qual não cria
Saiu para o
mundo
mãos dadas
com Keruouac
“on the road”
Viajou
comeu carreiras
cheirou mulheres
e fez tudo
que não tinha
feito ainda
e quando
cansou
cheirou de novo
trepou, desceu
subiu, caiu
levantou
e continuou
até o fim
até não
poder mais
Até não ter
mais forças
cansou
dormiu
Acordou
com o despertador
tocando:
seis e meia
da manhã
Levantou
tomou seu banho
e foi trabalhar
feliz
No final
do dia
ele poderia
sonhar de novo...
db 15/04
da série "Histórias do Zé"
quinta-feira, 9 de abril de 2015
É isso mesmo
É isso mesmo:
O porra louca
Vai distribuindo
A louca porra
e fazendo
Filhos a esmo...
E no desvareio
vai povoando
o mundo
e provocando
enleio
Distribui
a fome
Nem empresta
o nome
e logo some
Ninguém avisou
ao insano
que a água
do mundo
está acabando?
Ninguém avisou
ao demente
que neste
pequeno mundo
já tem muita gente?
db (09/04/2015)
O porra louca
Vai distribuindo
A louca porra
e fazendo
Filhos a esmo...
E no desvareio
vai povoando
o mundo
e provocando
enleio
Distribui
a fome
Nem empresta
o nome
e logo some
Ninguém avisou
ao insano
que a água
do mundo
está acabando?
Ninguém avisou
ao demente
que neste
pequeno mundo
já tem muita gente?
db (09/04/2015)
terça-feira, 7 de abril de 2015
Outono
cuspidas e só saliva
antes fossem catarro
Ai seria a borra criativa
do sarro do cigarro
...
Sem ciência para pessoas
Nem para fernandos
Estou mais para cinza
quase ranzinza
quase Bukowski
Comungando niilismo
Sem paciência
para aforismo
Foda-se Nietzsche
...
Nem um regurgito
que valha a pena
Nem vômito
que faca a cena
Nem um choro
para inspirar
nem uma gargalhada
que escancare
O que nao quero
mostrar
...
Não estou
nem de prosa e nem de verso
e pra conversa tao pouco
estou
no acesso do inverso
No vazio do oco
...
As folhas caem mortas
Junto rimas escrotas
Chegou o outono
só me vem ideias rotas
Sem inspiracao, só sono
db (07/04/2015)
(outono)
segunda-feira, 6 de abril de 2015
Fugi de escrever
Fugi de escrever
pra não ter que dizer
O que você já sabe
Não sei por que fugi
Só sei que o branco
da página que não escrevi
Exigiu um escrito
que demorou a sair
e agora saiu
feito um regurgito
Não sei se notou
muito tempo passou
Muita dor e ferida
Muita água rolou
umas vezes pura
outras poluída
e entre afetos e
desafetos
Já estamos juntos
há duas filhas e
dois netos
Fugi de escrever
Talvez porque tenha
ficado difícil dizer
O que é tao simples:
Amo você
db (06/04/2015)
"E que as palavras
difíceis
que sempre temi
dizer
podem agora ser
ditas:
Eu te
amo. " (Confissões - Charles Bukowisk)
difíceis
que sempre temi
dizer
podem agora ser
ditas:
Eu te
amo. " (Confissões - Charles Bukowisk)
sábado, 21 de março de 2015
Viver é foda!
Podemos sempre mudar de opinião
E isso não nos torna menos dignos
A gente pode sempre se arrepender
Mas isso não nos tornará menos culpados
As vezes podemos voltar atrás
O que não mudará o que foi feito
Mas podemos aprender com tudo isso
ou não...
E isso não nos torna menos dignos
A gente pode sempre se arrepender
Mas isso não nos tornará menos culpados
As vezes podemos voltar atrás
O que não mudará o que foi feito
Mas podemos aprender com tudo isso
ou não...
db 21/03/2015
sexta-feira, 13 de março de 2015
Construções
Aquele
prédio matou o sol
O outro
apagou as estrelas
Sei que
elas ainda existem
Mas não
consigo mais ve-las
Vejo asfalto e construção
E lá se vai a natureza
Fica tudo impermeável
Sobra o concreto e sua dureza
Agora só se enxerga o perto
O longe já não se vê
Sei que o longe ainda existe
Mas só o vejo na TV
Um dia ainda vamos embora
Prum lugar onde paisagem é logo ali
Onde há cheiro de terra molhada
Onde há canto de bem-te-vi
db (13/03/2015)
sexta feira 13/mesmo
"Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz..."
"Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz..."
Manuel Bandeira
quarta-feira, 11 de março de 2015
Tempos maquiavélicos
Nicolau Maquiavel viveu na primeira metade do seculo XVI. Ele admirava Cesar Borgia que era filho do Papa Alexandre 6.
Borgia nomeou Remirro de Orco para governar a província de Romanha. Sua
missao era apaziguar a região e para esse intento o governador usou de muita violência com a concordância de Borgia.
Tendo a missão cumprida, seu chefe imaginou que a população se voltaria contra ele e então mandou matar o governador e expôs seu corpo
partido em dois em praça pública.
Para Maquiavel, Borgia era um líder virtuoso que não media esforços para
manter a paz. Borgia entrou para história temido e admirado pelo auto do clássico "O Príncipe".
Embora não seja de sua autoria, a frase que talvez melhor defina o
pensamento de Maquiavel é “ Os fins justificam os meios”.
Maquiavel inaugurou a idéia da prática política independente de valores
como a honestidade, e sinceridade, onde o importante é se manter no poder.
Em "O Príncipe", ele mostra que a quebra de promessas, a mentira, a
dissimulação e até o assassinato de inimigos são próprios da política.
Alguma semelhança com nossos políticos? Não, claro que não...
db 11/03/2015
"Nao se afaste do bem, mas saiba valer-se do mal, se necessário."
Maquiavel
Maquiavel
terça-feira, 3 de março de 2015
Verdade perfeita
Quer a verdade?
Me explique qual delas.
A sua, a minha ou nenhuma destas?
Prefere a que eu não quero contar
Ou a que você quer ouvir?
Quantas verdades existem?
Uma só. Só a sua.
A única é aquela
na qual acreditamos.
Pena que não é tão única assim
Por mais que isso irrite
Por mais que se discuta
Outros tem outras verdades
Quer uma
verdade que não te ofenda?
Me diga no
que você acredita
E eu
acharei uma verdade perfeita.
db 03/03/2015
religiao/face/tato
"Doa a quem doer. Doe a verdade" db
"Doa a quem doer. Doe a verdade" db
Fui e voltei
Ontém havia árvore com com muita sombra
Hoje ar condicionado com muitos BTUs
Hoje o número de helicópteros me assombra
Ontém no céu eu só via urubus
Agora vejo TV com com pixels a dar com pau
Antes eu via janela com vista pro meu quintal
Tenho agora um smartphone com memoria gigante
No passado eu tinha duas latinhas e um barbante
Eu empinava pipa e jogava dominó
Hoje ver crianças brincando me dá dó
Naquele tempo eu corria pra rua e jogava bola
Hoje as crianças crescem dentro da escola
Eu tinha um cachorro chamado Pirata
E meu amigo tinha um gato chamado Frajola
Os dois viviam na rua, o gato e o vira-lata
E nós odiavamos passarinho na gaiola
Minha cabeça era núvem e meu olho era água
Minha mão era árvore e meu pé era chão
Não tinha stress, nem ódio, nem mágoa
Não havia pressa, nem tristeza, nem solidão
db 03/03/2015
-
"Só empós de virar traste que o homem é poesia" (Manoel de Barros)
só/tarde/calor
sábado, 28 de fevereiro de 2015
Merda!
Escrever é
uma merda:
Te
escancara!
Fernando
Pessoa é uma merda:
Me escancara!
(Finjo tão
completamente
Que chego a
fingir que é dor
a dor que
deveras sinto...)
A dor é uma
merda:
eu a
descrevo e me escancaro!
E os que
lêem são uma merda:
Pensam que
entendem a dor que sinto!
(Na dor
lida sentem bem,
Não as duas
que ele teve,
Mas só a que
eles não tem.)
Eu sou uma
merda:
Quando não
quero escancarar!
(Por isso
escrevo em meio
Do que não
está ao pé
Livre do
meu enleio,
Sério do
que não é.
Sentir?
Sinta quem lê!)
O arrependimento de ter escrito é uma merda:
Me escancarei!
Mas já escrevi:
O arrependimento de ter escrito é uma merda:
Me escancarei!
Mas já escrevi:
Merda!
db Merda! (28/02/2015)
tarde/cinza/chuva
Fernando
Pessoa em "Autopsicografia" e "Isto"
Juízo sem final
Quando a respiração é rara
Quando é pesado o peito
E nada que se faça sara
Quando não se encontra o jeito
Quando o
erro é presente
Quando a culpa não se afasta
E o castigo
é recorrente
E já não
basta e nunca basta
Quando calar já
é remédio
Que não cura e que vicia
E quando o vício causa o tédio
Silêncio que não alivia
Recolher-se é preciso
Mesmo que sem prazer
E se não me falha o juízo
Aí o jeito
é escrever
db 28/02/2015
sábado/chuva/dor
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
Não quero falar da morte
Não quero falar da morte
porque a vida me é rara
feito ar puro
em cidade grande
feito cheiro de mar
onde não tem mar
Não quero falar da morte
porque muitas vezes
já morri por medo dela
morri quando me calei
e devia falar
Morri quando fui
indiferente e devia
ter chorado
Não que falar da morte
porque dela quero distância
embora eu saiba que
ela ande ao meu lado
na espreita
e vou me esquivando
com a destreza de
quem tem medo
Não quero falar da morte
porque (embora com medo)
sinto prazer em desafia-la
e aprecio o gosto
amargo do perigo
perigo que é primo da morte
Não quero falar da morte
porque ela é companheira
de viagem
de viagem
e embora se pense virgem
a morte é mulher da vida
e se deita com todos
e com ela todos se deitam
db 23/02/2015
"A vida é água na peneira" db
"A vida é água na peneira" db
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
Em todos os sentidos
- I -
é preciso / haver / arte / em todos / os sentidos
haver / arte / em todos / os sentidos / é preciso
arte / em todos / os sentidos / é preciso / haver
em todos / os sentidos / é preciso / haver / arte
os sentidos / é preciso / haver / arte / em todos
- II -
ARTE : ARDE : EM TODO : O SENTIDO
ARDE : EM TODO : O SENTIDO : ARTE
EM TODO : O SENTIDO : ARTE : ARDE
O SENTIDO : ARTE : ARDE : EM TUDO
- III -
é preciso haver arte : arte arde em todos :
em tudo o sentido arde : o sentido arde arte :
em tudo arte arde : em tudo arde os sentidos:
o sentido arde : para a arte ter sentido:
é preciso haver arte em todos : em todos os sentidos
: em todo o sentido : é preciso haver arte
db (19/02/15)
"um astro é somente uma pedra com defeito" Apócrifo de Paul Valéry
"um astro é somente uma pedra com defeito" Apócrifo de Paul Valéry
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
Penso. Logo insisto
O que antes era idéia
sonhada pelas cores
das tintas e pelas
cerdas dos pincéis
agora não passa
de pixels na tela
eletrônica
O que foi pensamento
lapidado pela caneta
nervosa e por uma mente
inquieta
hoje é frase vaga
clonada e viral
em uma rede social
qualquer
As vezes nem escrito é:
Vira meme.
Penso: Logo logo desisto...
Repenso: Resistir é preciso.
Concluo: Penso. Logo insisto.
| Imagem: makeuseof.com |
db (18/02/15)
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
Penso, logo a resposta existe
Ouço e me
calo
mas se me incomodou
respondo
mentalmente
de várias
formas diferentes
repenso a
resposta
respondo
novamente
várias
vezes
até ter a
certeza
que já
disse
tudo o que
queria
da forma
como queria
isso tudo sem dizer
uma palavra
é praticamente um
universo paralelo
onde tudo acontece
sem nada acontecer
(qual foi a
última
vez que
você me
disse algo
que possa
ter me
incomodado?)
será que
meu interlocutor
pensa que
não respondi
nada?
será que
ficou satisfeito
e se
convenceu
de que
tinha razão por não
ter havido
uma resposta
audível?
não
me importa
saciei-me com minha
discussão
mental.
e ele,
pobre coitado,
nem sabe
disso e pode
contar
vantagens...
As vezes é
melhor
pensar no
que falar
do que
falar
o que pensa
o
tempo
todo
você pode
nem saber
a resposta
que
está
recebendo.
Douglas
Bunder 09/02/2015
Assinar:
Postagens (Atom)

















